Lipedema: O Acúmulo de Gordura que a Dieta e o Exercício Não Resolvem!
O lipedema é uma doença crônica e progressiva, sem cura definitiva, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura subcutânea, geralmente nas pernas, coxas, quadris e, em alguns casos, nos braços, poupando as mãos e os pés. A condição afeta predominantemente mulheres e tem forte relação com fatores hormonais e genéticos.

Embora sua base genética seja evidente, ainda não é completamente compreendida. Estudos sugerem um padrão de herança familiar, com predisposição genética que influencia o armazenamento e a distribuição de gordura. Estima-se que entre 60% e 80% das pacientes com lipedema tenham histórico familiar da condição, sugerindo um padrão hereditário possivelmente autossômico dominante. No entanto, a forma e a gravidade da doença podem variar. Algumas pesquisas apontam mutações em genes relacionados à diferenciação de adipócitos, ao funcionamento do sistema linfático e à resposta inflamatória, o que pode influenciar o desenvolvimento e a progressão do lipedema.
Por ser uma condição de forte componente genético, o diagnóstico precoce em familiares de pacientes diagnosticadas pode ajudar no manejo da doença. O monitoramento de fatores hormonais e inflamatórios, aliado a um estilo de vida anti-inflamatório — incluindo dieta, exercícios e terapias complementares —, pode contribuir para minimizar sua progressão.
O lipedema é hormônio-dependente, afetando predominantemente mulheres e surgindo, na maioria dos casos, em períodos de grandes variações hormonais, como a puberdade, a gestação e a menopausa. O uso de contraceptivos hormonais também pode influenciar sua progressão. O estrógeno desempenha um papel central na distribuição da gordura corporal e no funcionamento do tecido conjuntivo, e acredita-se que, no lipedema, haja uma hipersensibilidade dos receptores estrogênicos, resultando no acúmulo desproporcional de gordura.
Além do estrógeno, outros hormônios podem influenciar a evolução do lipedema. A progesterona pode aumentar a retenção de líquidos e a permeabilidade capilar; o cortisol, associado ao estresse, agrava a inflamação crônica; a insulina pode contribuir para o acúmulo de gordura e resistência à perda de peso; e disfunções tireoidianas podem afetar o metabolismo e a deposição de gordura.
A doença se manifesta de forma simétrica, deixando a pele da região afetada sensível e dolorosa ao toque, além de propensa à formação de hematomas devido à fragilidade capilar. Uma característica marcante é a preservação das mãos e dos pés, pois essas regiões possuem menor quantidade de receptores estrogênicos, estrutura adiposa mais compacta e uma circulação distinta, com menor pressão venosa, fatores que protegem essas áreas do acúmulo desordenado de gordura. Nos estágios mais avançados (lipolinfedema), no entanto, o sistema linfático pode ser sobrecarregado, levando a inchaço secundário.
Diagnóstico
O diagnóstico do lipedema é clínico e baseado na avaliação dos sinais e sintomas característicos. É fundamental diferenciá-lo de outras condições, como:
- Linfedema – acúmulo de líquido intersticial devido ao mau funcionamento do sistema linfático.
- Obesidade – excesso generalizado de gordura corporal, geralmente associado a fatores alimentares e metabólicos.
- Mixedema – infiltração de mucopolissacarídeos na pele e nos tecidos subcutâneos, comum em casos graves de hipotireoidismo, causando inchaço difuso e endurecido.
Uma característica que diferencia o lipedema de outras condições é a gordura dolorosa na região subcutânea de áreas específicas, como pernas e quadris, que são sensíveis ao toque. Além disso, o edema do lipedema não melhora com a elevação das pernas, ao contrário do linfedema, em que o inchaço reduz significativamente nessa posição.
Prevenção
O lipedema não possui uma forma comprovada de prevenção definitiva, pois sua origem está associada a fatores genéticos e hormonais. No entanto, algumas estratégias podem ajudar a retardar sua manifestação, minimizar o impacto e evitar a progressão nos estágios iniciais. Como se trata de uma condição hormônio-dependente, o manejo pode incluir medidas para equilibrar os níveis hormonais, como avaliação médica individualizada, dieta anti-inflamatória, estilo de vida saudável e, em alguns casos, modulação hormonal. Embora o lipedema não tenha cura, compreender o papel dos hormônios pode auxiliar no controle da progressão da doença e no alívio dos sintomas.
Manutenção do peso saudável e controle da obesidade
Embora o lipedema não seja causado diretamente pela obesidade, o excesso de peso pode agravar a condição. Adotar uma dieta equilibrada, rica em alimentos anti-inflamatórios, pode ajudar a reduzir a inflamação no tecido adiposo. Alimentos recomendados incluem peixes ricos em ômega-3, frutas vermelhas, vegetais folhosos e oleaginosas. Por outro lado, é importante evitar ultraprocessados, alimentos ricos em açúcar e gordura saturada, que favorecem a inflamação, além do consumo excessivo de sal, que contribui para a retenção de líquidos.
Estimulação do sistema linfático
O sistema linfático tem um papel essencial na drenagem de fluidos corporais, e seu bom funcionamento pode ajudar a reduzir a progressão do lipedema. Algumas estratégias incluem:
- Drenagem linfática manual – Mesmo para quem ainda não apresenta sintomas, sessões preventivas podem ser benéficas.
- Exercício físico – Atividades de baixo impacto, como caminhada, natação, pilates e hidroginástica, estimulam o fluxo linfático.
- Evitar longos períodos de inatividade – Permanecer sentado ou em pé por muito tempo pode prejudicar a circulação.
- Uso de roupas compressivas – Meias de compressão graduada auxiliam no retorno venoso e linfático, sendo especialmente úteis para pessoas com predisposição familiar ao lipedema.
Monitoramento da saúde hormonal
Alterações hormonais, como as que ocorrem na puberdade, gravidez e menopausa, podem desencadear ou agravar o lipedema. Por isso, manter o equilíbrio hormonal é fundamental.
- Consultas médicas regulares são essenciais para monitoramento e ajuste do tratamento, quando necessário.
- O uso de terapias hormonais deve ser feito apenas com orientação médica.
- Para pessoas com histórico familiar de lipedema, exames regulares podem auxiliar na detecção precoce e no manejo adequado da condição.
Controle do estresse
O estresse crônico pode estimular a liberação de citocinas inflamatórias, contribuindo para o acúmulo de gordura. Práticas como meditação, ioga e terapia cognitivo-comportamental podem ser úteis para reduzir seus impactos.
Hidratação adequada
Beber água em quantidade suficiente é essencial para o bom funcionamento do sistema linfático e para evitar retenção de líquidos.
Evitar hábitos que prejudiquem a circulação
- Não fumar – O tabagismo prejudica a circulação e favorece processos inflamatórios.
- Evitar roupas excessivamente apertadas, pois podem dificultar o fluxo linfático e venoso.
Suplementação sob orientação médica
Em alguns casos, suplementos podem ser indicados para reduzir a inflamação e melhorar a circulação. Alguns exemplos incluem:
- Diosmina e hesperidina – Bioflavonoides que favorecem o retorno venoso.
- Vitaminas C e E – Antioxidantes que auxiliam na proteção celular.
- Ômega-3 – Possui ação anti-inflamatória benéfica para o organismo.
Condições Agravantes do Lipedema: Hipotireoidismo
O bom funcionamento da tireoide é fundamental para o metabolismo, e sua disfunção pode agravar o lipedema. Embora a relação entre hipotireoidismo e lipedema não seja direta em todos os casos, ambos compartilham fatores comuns, como alterações hormonais, inflamação crônica e metabolismo disfuncional do tecido adiposo.
Tanto o hipotireoidismo quanto o lipedema envolvem desequilíbrios hormonais. No hipotireoidismo, a deficiência dos hormônios tireoidianos (T3 e T4) desacelera o metabolismo geral, afetando a degradação de lipídeos e favorecendo o acúmulo de gordura e retenção de líquidos. Já no lipedema, o metabolismo do tecido adiposo também é comprometido, principalmente devido à influência do estrogênio.
O hipotireoidismo pode levar à retenção de líquidos devido à redução da atividade metabólica e ao acúmulo de glicosaminoglicanos nos tecidos. No lipedema, que já está associado a edema crônico e acúmulo de líquidos entre os depósitos de gordura, esse efeito é potencializado. O excesso de líquidos pode aumentar a dor, a sensação de peso nas pernas e dificultar a drenagem linfática, agravando a condição.
Além disso, o hipotireoidismo está relacionado ao aumento da inflamação sistêmica, o que pode piorar o estado inflamatório crônico do lipedema. O tecido adiposo comprometido pelo lipedema apresenta altos níveis de macrófagos e citocinas inflamatórias, e a inflamação exacerbada dificulta ainda mais o manejo da doença.
A redução da degradação de lipídeos no hipotireoidismo favorece o acúmulo de gordura subcutânea, enquanto no lipedema há um metabolismo disfuncional do tecido adiposo, levando à hipertrofia e hiperplasia das células de gordura. A combinação dessas disfunções metabólicas pode contribuir para o aumento progressivo do tecido adiposo característico do lipedema.
A lentidão metabólica causada pelo hipotireoidismo também dificulta a perda de gordura, tornando-a resistente à dieta e ao exercício. O edema associado à retenção de líquidos intensifica a dor e a sensação de peso nas pernas, podendo acelerar a progressão do lipedema para estágios mais avançados. Além disso, quando não tratado, o hipotireoidismo pode aumentar a inflamação no corpo, agravando o ambiente pró-inflamatório do tecido adiposo.
Portanto, ao abordar o tratamento do lipedema, é essencial investigar e manejar possíveis disfunções da tireoide, garantindo um controle metabólico adequado para minimizar seus efeitos sobre a doença.
Relação entre o Lipedema e os Hormônios Androgênicos
A testosterona, um dos principais hormônios androgênicos, tem ganhado atenção no estudo do lipedema devido ao seu papel no metabolismo do tecido adiposo e na regulação da inflamação. Embora ainda não existam diretrizes formais para o uso de androgênios no tratamento do lipedema, a deficiência de testosterona pode influenciar a evolução da condição, especialmente em mulheres com desequilíbrios hormonais.
A testosterona, presente tanto em homens quanto em mulheres (embora em menor concentração no sexo feminino), desempenha funções essenciais no metabolismo do tecido adiposo. Seus principais efeitos incluem:
- Estimulação da lipólise, contribuindo para a queima de gordura.
- Redução do acúmulo de gordura subcutânea, especialmente em áreas comuns ao lipedema, como quadris e coxas.
- Ação anti-inflamatória, ajudando a minimizar a retenção hídrica e o edema.
Embora o lipedema esteja mais diretamente associado a distúrbios do estrogênio, a deficiência de testosterona pode facilitar o desenvolvimento ou agravamento da condição. Isso ocorre porque:
- O desequilíbrio hormonal resultante da baixa testosterona pode aumentar a ação estrogênica, favorecendo o acúmulo de gordura subcutânea.
- A redução da massa magra leva a um metabolismo mais lento, dificultando a queima de calorias.
- A testosterona tem um papel na regulação da pressão capilar e da função vascular, e sua deficiência pode contribuir para a retenção de líquidos e o agravamento do edema no lipedema.
Embora o uso de hormônios androgênicos no tratamento do lipedema ainda não seja uma prática clínica consolidada, alguns relatos sugerem benefícios com a reposição de testosterona em mulheres com deficiência confirmada. Estudos em outras condições metabólicas, como obesidade resistente e lipodistrofia, indicam que a reposição hormonal pode trazer benefícios a pacientes selecionadas.
Um pequeno estudo relatou que mulheres em terapia com testosterona apresentaram menor acúmulo de gordura corporal e menor retenção de líquidos. No entanto, a reposição hormonal deve ser considerada apenas em casos de deficiência laboratorialmente comprovada, sempre com uma abordagem individualizada que avalie os riscos e benefícios de forma criteriosa.
Classificação do Lipedema
O lipedema é classificado em estágios com base na progressão da doença e nas alterações estruturais do tecido adiposo e da pele. Essa classificação auxilia na definição do tratamento adequado e na previsão da evolução da condição.

🔹 Estágio I – Inicial
- A pele permanece lisa e uniforme, sem alterações visíveis.
- O tecido adiposo subcutâneo começa a apresentar pequenos nódulos, suaves ao toque.
- Pode haver leve retenção de líquidos e sensação de peso nas pernas, mas sem edema visível constante.
- A formação de hematomas é frequente devido à fragilidade dos vasos capilares.
✅ Tratamento ideal: Intervenções precoces, como dieta anti-inflamatória, drenagem linfática manual e uso de compressão.
🔹 Estágio II – Moderado
- A pele começa a apresentar irregularidades e depressões, com aspecto semelhante à “casca de laranja” ou celulite avançada.
- Os nódulos de gordura aumentam e tornam-se mais palpáveis.
- O edema se torna mais evidente ao longo do dia, mas pode regredir durante o repouso.
- Sensação de peso e dor nas pernas aumenta, podendo começar a afetar a mobilidade.
✅ Tratamento ideal: Além das terapias conservadoras (drenagem linfática e meias de compressão), pode-se considerar lipoaspiração especializada em casos selecionados.
🔹 Estágio III – Avançado
- A pele apresenta nódulos de gordura maiores e dobras volumosas, com consistência mais firme.
- O contorno corporal começa a se deformar, especialmente em coxas, quadris e tornozelos, com depósitos de gordura bem visíveis.
- O edema torna-se constante e não regride completamente com o repouso.
- A dor e a limitação funcional são significativas, podendo impactar as atividades diárias.
✅ Tratamento ideal: Lipoaspiração tumescente ou assistida por água, associada à terapia conservadora para controle dos sintomas.
🔹 Estágio IV – Lipolinfedema (complicado)
- Ocorre a progressão do lipedema para linfedema, devido à sobrecarga e disfunção do sistema linfático.
- Pés e tornozelos começam a apresentar edema (diferente dos estágios iniciais, onde eram poupados).
- A pele pode se tornar endurecida e fibrosada (fibrose subcutânea), com possível hiperpigmentação.
- Deformidades significativas nas pernas, associadas a forte limitação de mobilidade.
✅ Tratamento ideal: Abordagem multidisciplinar, incluindo drenagem linfática, compressão e lipoaspiração especializada para alívio dos sintomas.
Tratamento Ideal: Abordagem Multidisciplinar
O tratamento do lipedema deve ser personalizado e multifatorial, combinando terapias conservadoras nos estágios iniciais e procedimentos minimamente invasivos em casos mais avançados. Independentemente do estágio, a adoção de uma dieta equilibrada, prática de exercícios e controle metabólico são essenciais para melhores resultados.
Como não há cura definitiva, o foco do tratamento está no manejo dos sintomas. As principais abordagens incluem:
1. Terapias Conservadoras
- Terapia de compressão: Uso de meias ou bandagens compressivas para reduzir o inchaço e melhorar a circulação.
- Drenagem linfática manual: Técnica de massagem específica para auxiliar a drenagem de líquidos e reduzir o edema.
- Exercícios físicos: Atividades de baixo impacto, como natação, caminhada, hidroginástica e pilates, promovem melhora da circulação linfática e venosa.
- Dieta balanceada: Embora o lipedema não seja causado pela obesidade, manter um peso saudável pode ajudar a aliviar os sintomas.
2. Alimentação e Suplementação
Dieta anti-inflamatória e de baixo índice glicêmico

- Alimentos recomendados: Ricos em ômega-3 (peixes gordurosos), antioxidantes (frutas vermelhas, cúrcuma) e fibras (vegetais folhosos).
- Alimentos a evitar: Processados, açúcares simples, carboidratos refinados e excesso de sal, que favorecem a retenção de líquidos e a inflamação.
Suplementação recomendada
- Selênio (200 mcg/dia): Auxilia na conversão de T4 em T3 e tem ação antioxidante.
- Zinco: Essencial para a função tireoidiana.
- Vitamina D (2.000-5.000 UI/dia): Regula o metabolismo do tecido adiposo e reduz a inflamação.
- Coenzima Q10: Apoia a função mitocondrial e melhora o metabolismo energético.
- Ácido alfa-lipoico (ALA): Antioxidante com efeitos anti-inflamatórios que podem auxiliar no metabolismo do tecido adiposo.
- Resveratrol: Polifenol presente em uvas e vinho tinto, com ação anti-inflamatória e potencial modulação do metabolismo lipídico.
3. Detoxificação Hepática e Intestinal
A desintoxicação do fígado e intestino pode ser um coadjuvante importante no tratamento do lipedema, pois:
- Melhora a metabolização dos hormônios, reduzindo impactos de desequilíbrios hormonais.
- Diminui a inflamação sistêmica, promovendo um ambiente metabólico mais favorável à perda de gordura e redução do edema.
A glutationa, um poderoso antioxidante produzido pelo corpo, pode ter um papel importante na detoxificação hepática e na redução do estresse oxidativo e inflamação.
4. Reposição Hormonal Seletiva
- Uso de T3: Pode ser indicado para pacientes com disfunção tireoidiana ou resistência metabólica.
- Testosterona: A deficiência desse hormônio pode estar associada ao aumento da retenção hídrica e ao acúmulo de gordura, sendo avaliada caso a caso.
5. Importância da Vitamina D no Lipedema
A vitamina D tem papel essencial na regulação do sistema imunológico, no controle da inflamação e no metabolismo do tecido adiposo, fatores críticos no manejo do lipedema.
Principais benefícios da vitamina D no lipedema
- Efeito anti-inflamatório: Modula o sistema imunológico, reduzindo citocinas inflamatórias como IL-6, TNF-α e IL-1, que estão frequentemente elevadas no lipedema.
- Regulação do metabolismo dos adipócitos: Pode influenciar a diferenciação e função das células de gordura, prevenindo acúmulo excessivo.
- Melhora da sensibilidade à insulina: Auxilia na captação de glicose pelos tecidos, prevenindo a resistência à insulina, um fator comum no lipedema.
- Manutenção da integridade vascular: Contribui para um fluxo sanguíneo adequado, reduzindo retenção de líquidos e edema.
Deficiência de vitamina D no lipedema
Pacientes com lipedema frequentemente apresentam níveis baixos de vitamina D devido a:
- Inflamação crônica, que reduz sua absorção intestinal.
- Maior armazenamento no tecido adiposo, diminuindo sua biodisponibilidade.
- Baixa exposição solar.
Meta ideal de vitamina D
- Níveis séricos recomendados: 40-60 ng/mL para pacientes com condições inflamatórias.
- Combinação com outros nutrientes para otimizar sua absorção:
- Magnésio: Essencial para a ativação da vitamina D.
- Vitamina K2: Regula o cálcio, prevenindo depósitos vasculares.
- Ômega-3: Potencializa os efeitos anti-inflamatórios da vitamina D.
6. Papel da Vitamina B12 no Lipedema
A vitamina B12 é essencial para a produção de energia, função nervosa e regulação metabólica. Sua deficiência pode agravar sintomas comuns do lipedema, como:
- Fadiga crônica: A B12 melhora a produção de energia nas mitocôndrias.
- Dificuldade na perda de gordura: Necessária para a síntese de ácidos graxos e metabolismo lipídico.
- Neuropatia periférica: Sua deficiência pode agravar a dor e o desconforto nas pernas.
- Modulação da inflamação: A B12 pode ajudar a reduzir a inflamação associada ao lipedema.
Conclusão
O lipedema é uma condição crônica e progressiva, frequentemente subdiagnosticada e confundida com obesidade ou linfedema. Caracteriza-se pelo acúmulo anormal e doloroso de gordura subcutânea, afetando predominantemente as pernas, coxas, quadris e, em alguns casos, os braços, enquanto poupa as mãos e os pés. Embora sua causa exata ainda não seja totalmente compreendida, sabe-se que fatores genéticos e hormonais desempenham um papel central no seu desenvolvimento e progressão.
Por ser uma doença hormônio-dependente, sua evolução pode ser influenciada por alterações nos níveis de estrogênio, progesterona, insulina, cortisol e hormônios tireoidianos. Além disso, a relação entre lipedema e a deficiência de testosterona tem sido investigada, sugerindo que o equilíbrio hormonal é essencial para seu manejo adequado.

Atualmente, não há cura definitiva para o lipedema, e seu tratamento visa o controle dos sintomas e a melhora da qualidade de vida. O manejo ideal é multidisciplinar, combinando terapias conservadoras – como drenagem linfática manual, uso de roupas compressivas, exercícios de baixo impacto e dieta anti-inflamatória – com intervenções cirúrgicas minimamente invasivas, quando indicadas.
A suplementação com vitamina D, B12, ômega-3, ácido alfa-lipoico, resveratrol e antioxidantes pode auxiliar na regulação inflamatória e no metabolismo do tecido adiposo. Estratégias para desintoxicação hepática e intestinal também são coadjuvantes no controle da inflamação e na metabolização de hormônios, favorecendo um ambiente metabólico mais equilibrado.
A progressão do lipedema é classificada em quatro estágios, variando de alterações leves na textura da pele e pequeno acúmulo de gordura até casos avançados com deformidades significativas e comprometimento da mobilidade. Nos estágios mais avançados, o lipedema pode evoluir para lipolinfedema, causando sobrecarga do sistema linfático e agravando o edema crônico.
Diante desse cenário, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar a progressão da doença e proporcionar um tratamento mais eficaz. A conscientização sobre o lipedema precisa ser ampliada para que mais pacientes possam receber o suporte adequado e evitar complicações associadas.
Por fim, o manejo do lipedema requer abordagem individualizada, respeitando as necessidades e características de cada paciente. A combinação de mudanças no estilo de vida, terapias conservadoras, suplementação direcionada e, quando necessário, intervenções cirúrgicas podem proporcionar um maior controle dos sintomas, melhora na mobilidade e mais qualidade de vida para quem convive com essa condição.
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